“Nada é. Tudo está.”

11/08/2012

Complementar ou alternativo?


Já que a medicina integrativa usa todas as terapias com comprovação científica em prol do bem-estar do paciente, seria ela uma medicina também alternativa?

A confusão com os termos é comum e, por isso, antes de prosseguirmos é importante fazermos duas definições. Definimos medicina alternativa como aquela que preconiza terapias que excluem o tratamento convencional. Por exemplo, o uso de um fitoterápico em substituição à quimioterapia para tratar um tumor. A medicina complementar por sua vez usa terapias e orientações médicas que, como o próprio nome enfatiza, são complementares ao tratamento convencional. No mesmo exemplo, seria o uso da acupuntura para diminuir as náuseas provocadas pela quimioterapia. E é nessa segunda definição que se enquadra a abordagem preconizada pela medicina integrativa.


O propósito é integrar. Juntos, médico e paciente traçam um plano de sobrevivência e busca de bem-estar, mesmo nos quadros mais graves. Para que isso seja possível, é necessário que o médico esteja apto para validar as práticas já trazidas pelo paciente, estimulando o diálogo e fornecendo dados científicos embasados para isso, abrindo espaço, inclusive, para discutir uma possível associação com o tratamento convencional. 

O entendimento principal é de que terapias que podem ser recomendadas são as que têm evidências de sua eficácia e segurança, como a prática de meditação. As que podem ser aceitas são aquelas com segurança comprovada por pesquisas, mas com eficácia ainda não indicada, por exemplo, sessões de shiatsu. Práticas comprovadamente perigosas e ineficazes, como a associação de alguns fitoterápicos, devem ser desencorajadas e suspensas.

Essa abertura é muito importante para que as opções complementares sejam usadas a favor dos pacientes, que em momentos de fragilidade tendem a aderir a tratamentos sem relatarem a seus médicos. Pesquisas mostram que boa parte dos pacientes oncológicos brasileiros usa práticas complementares ao tratamento convencional. Os dados são alinhados com os americanos - e provavelmente com os do resto do mundo ociental. Trabalho feito no Centro de Medicina Integrativa do Memorial Sloan Kettering Center, em Nova York, publicado na revista científica Oncologist revela que 69% a 80% dos pacientes com câncer usam fitoterápicos, suplementos vitamínicos, orientações nutricionais e acupuntura, entre outros. Cerca de 70% deles não relataram o uso aos seus médicos - inclusive pelo fato de eles não abordarem o tema em suas consultas.

A crescente busca por essas opções está relacionada à redução de efeitos colaterais das drogas, com a sensação de autocuidado e controle no tratamento, com a busca do aumento de bem-estar e qualidade de vida, maximizando a resposta do corpo ao tratamento. Sensações de medo, depressão e ansiedade também são mais bem trabalhadas com auxílio de terapias complementares. Além disso, doenças antes associadas à morte hoje são vivenciadas como crônicas, que nem por isso deixam de provocar incômodos ou limitações, e levam os pacientes a buscas que os ajudem a conviver melhor com seus sintomas.

Uma iniciativa interessante está em curso no Beth Israel Medical Center, em Nova York (EUA), patrocinada pela Fundação Dona Karan. Professores de ioga foram convocados para darem aulas para pacientes oncológicos e enfermeiras estão aprendendo técnicas de relaxamento. Os pacientes estão sendo acompanhados para que seja possível avaliar se a prática da ioga reduz sintomas clássicos do câncer e da quimioterapia, como dores, náusea e ansiedade. Experimentos e iniciativas do tipo estão sendo adotadas com sucesso e custos reduzidos em hospitais e unidades de saúde em várias partes do mundo. Em São Paulo mesmo, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) pesquisa há anos, com resultados bastante animadores, a influência da meditação e das técnicas de biofeedback em transtornos de ansiedade e distúrbios alimentares.

O Hospital Israelita Albert Einstein também tem levado a medicina integrativa a pacientes que convivem com o câncer. As ações do tipo têm sido chamadas de intervenções em estilo de vida.

Razões que estimulam pessoas com câncer a utilizar terapias complementares
  • Auxilio no tratamento dos efeitos colaterais aos tratamentos de câncer, como náusea, dor e fadiga
  • Obtenção de conforto e alívio das aflições decorrentes do tratamento, e conseqüente estresse
  • Sensação de estar fazendo "algo mais" por si mesmo
  • Tentativa de conseguir o melhor para o tratamento e a cura do câncer

Fazendo escolhas

É natural ao ser humano o desejo de lutar contra o câncer de todas as maneiras possíveis. Existe muita informação disponível, e novos métodos de tratamento do câncer estão sendo testados. Em conseqüência de tanta informação, torna-se difícil saber por onde começar. As terapias complementares não são totalmente eficazes para todos os pacientes, porém alguns métodos sempre serão úteis no manejo do estresse, náuseas, dores e outros sintomas ou efeitos colaterais.

Uma mensagem importante é que se procure sempre falar com o medico responsável ao iniciar qualquer nova pratica. Esta atitude irá assegurar que nada poderá interferir no direcionamento do tratamento proposto.

O que é medicina integrativa e complementar?



Medicina Integrativa
  • A Medicina Integrativa aborda de forma integral e completa o processo de cura do paciente, envolvendo sua mente, corpo e espírito. Ela combina a Medicina Convencional com as práticas de Medicina Complementares, que tenham se mostrado mais promissoras.
  • Por exemplo, usar conhecimentos de relaxamento para reduzir o estresse durante a quimioterapia.

Medicina Complementar

  • A Medicina Complementar é usada "em conjunto" com os tratamentos médicos convencionais.
  • Um bom exemplo é a utilização da acupuntura no alívio dos efeitos colaterais causados pelo tratamento do câncer.

Medicina Alternativa

  • A medicina alternativa é usada "em substituição" aos tratamentos médicos convencionais.
  • Um exemplo é o uso de uma dieta especial para tratamento do câncer, em substituição a um método convencional sugerido pelo oncologista.
  • Ressaltamos que a utilização de terapias alternativas não é recomendada pelos praticantes de medicina integrativa, sobretudo em pacientes portadores de câncer.

Medicinas para mente e corpo

Baseadas na crença de que a mente é capaz de exercer influência sobre o corpo. Alguns exemplos são:
  • Meditação: focando na respiração e repetindo palavras ou frases para aquietar a mente
  • Hipnose: um estado de relaxamento no qual o paciente concentra seu foco de atenção em determinado sentimento ideia ou sugestão, para auxiliar o processo de cura
  • Yoga: sistema de posturas e alongamentos, que dedica especial atenção à respiração
  • Visualização: imaginando cenas, quadros ou experiências de prazer e felicidade para estimular a cura
  • Atividades criativas: como artes, música ou dança.

Práticas baseadas em biologia

Este tipo de medicina utiliza o que a natureza nos oferece, como por exemplo, suplementos vitamínicos e produtos fitoterápicos. Alguns exemplos são:
  • Vitaminas
  • Ervas
  • Alimentos
  • Dietas especiais
Uma observação a respeito de nutrição: é muito comum às pessoas com câncer terem dúvidas a respeito da alimentação durante o tratamento da doença. É importante saber que não existem alimentos ou dieta especial que tenha comprovada importância no controle do câncer. Grande quantidade de um mesmo alimento não irá ajudar, e poderá ser prejudicial. Devido às necessidades nutricionais específicas, o ideal é que o paciente consulte seu médico para obter a orientação correta do alimento que deverá ingerir.

Praticas de manipulação corporal



São técnicas baseadas no trabalho manual aplicado sobre uma ou mais partes do corpo. Alguns exemplos:
  • Massagem: manipulação dos vários tecidos do corpo humano usando as mãos e eventualmente algum aparelho especializado.
  • Shiatsu: é um tipo de manipulação corporal que utiliza pressão em pontos específicos do corpo, visando obter relaxamento e melhora do estado geral.

Terapias baseadas em energia

Esta medicina se baseia na crença de que o corpo humano possui campos energéticos e que a energia é parte vital do equilíbrio de nosso corpo. Alguns exemplos:
  • Tai Chi Chuan: envolve lentos e suaves movimentos corporais, com foco na respiração e concentração profunda.
  • Reiki: busca o equilíbrio de energia, tanto à distancia como em proximidade do paciente, através da postura de mãos.
  • Toque Terapêutico: o terapeuta movimenta as mãos sobre os campos energéticos do corpo.

Sistemas médicos tradicionais

Estes são sistemas de cura e crenças muito antigos provindos de diferentes culturas e lugares do mundo. Alguns exemplos:
  • Medicina ayurveda: provinda da Índia, esta medicina enfatiza o equilíbrio entre mente, corpo e espírito.
  • Medicina chinesa: baseada na crença de que a saúde é o resultado da perfeita harmonia de duas forças denominadas Yin e o Yang.
  • A acupuntura é uma prática comum da medicina chinesa, que envolve a estimulação de pontos específicos através de agulhas finíssimas, visando a melhora da saúde e a redução de sintomas e efeitos colaterais.
  • Homeopatia: utiliza doses extremamente pequenas de agentes e de seu substrato energético que estimulam o organismo a promover a autocura.

Fale com seu médico antes de utilizar a medicina integrativa

Alguns pacientes receiam que seu médico desaprove ou não compreenda o uso da medicina integrativa. Sabemos, porém, que os médicos aceitam e valorizam o desejo do paciente em participar ativamente do processo de cura. O médico sempre irá desejar o melhor para seu paciente, ansiando por fazer o trabalho em conjunto.
Fale com seu médico para assegurar-se de que todos os métodos escolhidos podem atuar em harmonia. Este posicionamento é importante porque escolhas que parecem seguras - como certos alimentos e fitoterápicos - podem interferir no tratamento proposto pelo médico responsável.
O que devo perguntar ao médico a respeito da medicina integrativa?
Quais as opções de medicina integrativa eficazes para:
  • Ajudar a enfrentar meu problema, reduzir o estresse e me sentir melhor?
  • Ajudar a me sentir menos cansada?
  • Ajudar a lidar com os sintomas do câncer como a dor, ou os efeitos colaterais do tratamento, como as náuseas?

Nem sempre o produto "natural" é um produto seguro

Alguns fatos importantes a respeito de suplementos dietéticos, como fitoterápicos e vitaminas.

Estes suplementos poderão afetar negativamente a eficácia da medicação convencional.

Plantas e alguns produtos à base de plantas podem alterar a eficácia dos remédios e quimioterápicos, não permitindo que eles desempenhem no organismo a função para a qual foram indicados. Tanto faz se estes remédios foram prescritos pelo médico, ou comprados diretamente das prateleiras de farmácias.
Por exemplo, a conhecida Erva de São João (Hypericum perforatum), que alguns pacientes com câncer utilizam para a depressão, pode alterar o efeito de certas drogas anticâncer, impedindo o resultado esperado do medicamento.

Ervas podem atuar como "drogas" no organismo.

Suplementos de ervas podem ser prejudiciais se ingeridos puros, misturados a outras substâncias ou ainda em doses inadequadas. Por exemplo, alguns estudos demonstram que a Kava-Kava (Piper methysticum), conhecida planta que é usada no controle do estresse e da ansiedade, pode causar dano ao fígado.

Vitaminas também podem causar danos ao organismo.

Altas doses de vitaminas, como por exemplo, vitamina C podem afetar o modo de atuação da quimioterapia e da radioterapia. Grandes doses de vitaminas não são seguras – até mesmo para pessoas saudáveis.
Informe ao médico se você faz uso de suplementos vitamínicos - não importa o quanto você imagina que sejam seguros. Esta é uma atitude muito sensata. Embora alguns aleguem que determinadas vitaminas vêm sendo usadas há muito tempo, dificilmente se obtém confirmações científicas que provem sua eficácia e segurança. É importante ser cauteloso.
Os suplementos não requerem aprovação governamental para sua comercialização. Da mesma forma a prescrição médica não é obrigatória. Portanto, o consumidor deve decidir o que é melhor para si.

O que devo perguntar ao terapeuta a respeito das terapias complementares?

  • Como a terapia poderá ajudar-me?
  • Você conhece estudos que comprovem sua atuação benéfica?
  • Quais são os riscos e efeitos colaterais?
  • Quanto tempo deve durar a terapia?
  • Qual será o custo?
  • Você tem material que eu possa ler para obter informações?
  • Existe alguma razão pela qual eu não deva usar esta técnica?

Opções de terapias integrativas contra o câncer

Instituições importantes no tratamento da doença criam serviços de massagem, reiki, acupuntura e dança, entre outras terapias

CLÁUDIO GATTI/AG. ISTOÉ
AUXÍLIO Cutait aplica reiki em Patrícia. Ela diz que o método a ajudou a lutar contra um tumor nos rins

Depois de anos de discussão sobre os danos e possíveis benefícios das terapias alternativas – agora também chamadas de complementares ou integrativas – na luta contra o câncer, médicos de algumas das mais avançadas instituições para o tratamento da doença finalmente abriram as portas a essas práticas. A prova mais evidente disso é o surgimento de serviços que ministram e ensinam a automassagem, ioga, dança e musicalização, entre outras terapias, no interior de instituições de referência, como M. D. Anderson, Danna Farber e Memorial Sloan-Kettering Center. Além disso, os métodos estão em mais de 30 universidades, entre elas Duke University, Stanford, Columbia e Harvard.
Agora, é a vez de o Brasil seguir esse modelo. Em São Paulo, o Hospital Albert Einstein lançou recentemente um programa nos mesmos moldes do M. D. Anderson. É a primeira grande instituição do País a criar um serviço de práticas complementares, que também sediará estudos em cooperação com o centro americano. “A maioria dos pacientes de câncer usa a medicina complementar ou tem interesse nela. Porém é sabido que alguns métodos podem ser prejudiciais. Criamos um serviço em que podem se informar sobre as evidências científicas e escolher, junto com seus médicos, as melhores terapias para cada caso”, explica o cirurgião Paulo de Tarso Lima, responsável pela área de medicina integrativa do Einstein. O programa é oferecido para pacientes que acabaram de receber o diagnóstico, que estão em tratamento ou já passaram por ele.

OFERTA No M. D. Anderson, pacientes contam com musicoterapia e acupuntura

A explicação para o acolhimento das técnicas complementares pelas instituições é a enorme demanda pelos métodos por parte dos pacientes e estudos controlados que mostram o sucesso de alguns deles. “Muitas técnicas podem ser úteis para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas respostas aos tratamentos clínicos”, explica o médico Lorenzo Cohen à ISTOE. Ele é o diretor do Programa de Medicina Integrativa do M. D. Anderson, que reúne 72 modalidades terapêuticas em um dos prédios da instituição, no Texas. “Queremos também assegurar que os pacientes sejam educados para fazer a integração apropriada dos métodos com o cuidado médico convencional. O objetivo é que eles ajudem e não atrapalhem a recuperação”, disse Cohen.
De fato, quando o processo é conduzido corretamente, os ganhos são evidentes. Desde que teve o diagnóstico de um tumor nos rins, a publicitária Patrícia Conte, 35 anos, submeteu-se a sessões de reiki – técnica que usa a imposição de mãos para transmissão de energia vital, segundo os adeptos. “Foi essencial para restaurar meu equilíbrio”, diz. O mestre em reiki Plínio Cutait, responsável pelas aplicações do método em Patrícia, cuida de pacientes com câncer há 15 anos. “O reiki não trata a doença, mas a pessoa”, afirma. “Pode promover relaxamento, desbloquear emoções, apaziguar a mente ou acelerar os processos regenerativos físicos e emocionais”, garante ele, que agora atende também dentro do Hospital Albert Einstein.

Fonte: Revista Isto É

10/08/2012

Os problemas mais comuns no sistema urinário


Conheça as causas, os sintomas, o tratamento e a prevenção de doenças típicas dos rins e da bexiga





Pedra no rim
O QUE É
Formações endurecidas nos rins ou nas vias urinárias por causa do acúmulo de cristais de sais na urina, como cálcio, fosfatos, oxalatos.

CAUSAS
Infecções urinárias, volume insuficiente de urina, distúrbios relacionados à eliminação de sais e vitamina D em excesso.

SINTOMAS
Dor intensa, com irritação e obstrução do canal urinário. Pode haver ainda palpitações, náuseas e vômitos.

TRATAMENTO
Contra a dor, analgésicos. Cálculos menores que 5 mm são eliminados sozinhos. Os maiores são bombardeados com ultra-som. Daí, às vezes, é preciso intervir para retirar fragmentos.

PREVENÇÃO
Pessoas propensas devem evitar o consumo excessivo de alimentos ricos em oxalatos, como café, chocolate, refrigerante à base de cola, entre outros.

Nefrite aguda
O QUE É
Inflamação dos tecidos dos rins causada por agentes infecciosos os mesmos que provocam amigdalite e sinusite, por exemplo.

CAUSAS
Pessoas predispostas geralmente têm o problema depois de uma infecção de garganta ou de pele.

SINTOMAS
O mais comum deles é a coloração diferente da urina, que fi ca bem mais escura.

TRATAMENTO
Além de antibióticos, usados em certos casos, são prescritos diuréticos para controlar a retenção de líquidos e assim reduzir a pressão arterial.

PREVENÇÃO
Não há um caminho específico ou 100% seguro. Vale manter a pele limpa e tomar todas as medidas para evitar outras infecções, como a de garganta.

Nefrite crônica
O QUE É
Lesões permanentes nos rins, que atrapalham seu funcionamento

CAUSAS
Infecções que não foram tratadas direito ou até mesmo o abuso de certos medicamentos.

SINTOMAS
Sangue na urina, pressão alta, inchaço nas pernas, perda de apetite.

TRATAMENTO
Dieta com restrição de proteínas, sal e potássio não cura, mas ajuda a não sobrecarregar ainda mais os rins.

PREVENÇÃO
Evitar remédios sem prescrição e fazer exames rotineiros para avaliar a saúde renal, impedindo que o mal avance.

Cisto renal simples
O QUE É
Pequenas bolhas cheias de líquido nos néfrons, as unidades filtrantes.

CAUSAS
Doença renal crônica, aumento da pressão arterial nos rins e da concentração de sais nos líquidos que banham os néfrons.

SINTOMAS
Não apresenta sinais, mas algumas pessoas podem ter dor se os cistos crescerem e comprimirem outros órgãos.

TRATAMENTO
Não há nada específico. Apenas é necessário acompanhamento médico periódico para evitar complicações, como cálculos e infecções.

PREVENÇÃO
Como os cistos estão diretamente ligados ao aumento da pressão, é preciso mantê-la sob controle.

Infecção urinária
O QUE É
Qualquer infecção no canal da urina.

CAUSAS
A presença de microorganismos, como bactérias, fungos e vírus no interior da uretra.

SINTOMAS
Dor ao urinar, febre, sangue no xixi e vontade freqüente e intensa de ir ao banheiro.

TRATAMENTO
Além de pedir que a pessoa tome mais líquido, o médico pode prescrever antibiótico, se a causa for uma bactéria.

PREVENÇÃO
Urinar antes de dormir e após as relações sexuais, e também evitar longos banhos de imersão, já que o contato com o meio líquido favorece a contaminação.

Mulheres e a cistite
As mulheres são mais vulneráveis à cistite, a infecção do trato urinário por razões anatômicas. Nelas, a uretra é bem mais curta do que nos homens, o que facilita o acesso de microorganismos. O tratamento deve ser rápido, evitando que a infecção avance até a área nobre dos rins.

Se você não bebeu água o suficiente em um dia, seus rins bloquearão o desejo de urinar. Tudo para evitar que seu corpo fique desidratado. Lindo. Mas isso tem um preço: o serviço de filtragem deixa de ser perfeito.

Por falar em beber água, não leve tão a sério a clássica recomendação dos 2 litros por dia, a menos que você tenha cálculo renal. Caso contrário, dê seus goles quando bater a vontade. A dica, porém, pode não valer para idosos, porque neles, por razões fisiológicas, a sede nem sempre dá as caras. Para evitar desidratação e manter os rins em ordem, eles devem se habituar a tomar água de vez em quando, com ou sem sede.
Fonte: Revista Saúde da Abril

Infecção urinária: perguntas e respostas


Especialistas esclarecem as principais dúvidas sobre o assunto


O que é infecção urinária? 
Ela é caracterizada pela a presença de micro-organismos na urina. O líquido que enche a bexiga é estéril - ou seja, livre de bactérias. Mas, quando esses bichinhos se multiplicam ao redor da uretra e conseguem se infiltrar no canal da urina até chegar à bexiga, desencadeiam uma infecção. "Em 85 % dos casos, o problema é provocado pela bactéria Escherichia coli, que integra a flora intestinal", ressalta Fernando Almeida, professor de urologia da Universidade Federal de São Paulo

Existem tipos diferentes? 
Sim. O mais comum é a infecção na bexiga, a famosa cistite. Mas os micro-organismos também podem atacar os rins, o que é chamado de pielonefrite. 

Quais são os sintomas? 
"Os clássicos são dor e ardor na hora de urinar", afirma Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Pode haver também um aumento da frequência de idas ao banheiro, sensação de bexiga cheia, sangramento ou um simples mal-estar acompanhado de febre. 

A doença é transmissível? 
"Definitivamente, não", assegura Fernando Almeida. Mas é mais comum que ela dê as caras depois de relações sexuais, porque o pH da região fica alterado. Entre mulheres que variam muito de parceiro, a incidência é comprovadamente maior. 

Por que esse tipo de infecção é mais frequente em mulheres? 
Elas têm o canal da uretra mais curto e, por isso, é mais fácil as bactérias chegarem aonde não devem. Além disso, elas costumam ter o péssimo hábito de segurar a urina por mais tempo que os homens - um prato cheio para as bactérias se proliferarem. 

Por que algumas pessoas têm o problema com mais frequência? Isso envolve fatores hereditários e imunológicos. A atenção com a higiene é essencial, mas a infecção pode aparecer mesmo em quem toma todo o cuidado do mundo. 

Por que as grávidas ficam mais sujeitas a esse tipo de infecção? Estima-se que de 15% a 20% das gestantes terão ao menos uma vez esse tipo de infecção. Isso acontece porque, durante esse período, o aumento da circulação sanguínea na região pélvica faz a umidade vaginal aumentar, facilitando a passagem das bactérias do ânus para a uretra. 

Os homens estão livres da doença? Não é bem assim. É verdade que esse é um problema tipicamente feminino, mas a infecção também acomete a ala masculina. 

Ela é mais frequente em pessoas idosas? Sim. "A resistência diminui com a idade e, no caso das mulheres, há uma queda de hormônios que deixam a região pélvica mais sensível", diz Eduardo Zlotnik. 

Existe alguma forma de prevenir? Segundo Zlotnik, a recomendação é beber muita água para que as idas ao banheiro não fiquem muito espaçadas. "Assim você vai limpando o trato urinário", explica. Urinar depois das relações sexuais e evitar banhos de imersão também ajudam.
Fonte: Revista Saúde da Abril

Ginkgo biloba tem poder


Fonte: Revista Saúde

Pesquisas alimentam a esperança de que a planta do Oriente previna (e ataque) tumores no ovário, na mama, no cérebro e no fígado. Com o seu extrato por perto, as células malignas se autodestroem


Nome Científico: Ginkgo biloba L.
Nome popular: Nogueira-do-japão
Origem: Extremo Oriente
Aspecto: As folhas se dispõem em leque e são semelhantes ao trevo. A altura da árvore pode chegar a 40 metros. O fruto lembra uma ameixa e contém uma noz que pode ser assada e comida

A ginkgo biloba foi a primeira planta a brotar após a destruição provocada pela bomba atômica na cidade de Hiroshima, no Japão

A ginkgo já é famosa por suas façanhas. O extrato obtido de suas folhas comprovadamente reduz as tonturas, refresca a memória, alivia as dores nas pernas e nos braços e acaba com o zumbido no ouvido. Por tudo isso ela arrebanhou uma vasta clientela, composta na maior parte por idosos. Mas suspeita-se que o poder dessa planta de folhas de formato de leque vá além. Estudos realizados em laboratório e com seres humanos sugerem sua capacidade de prevenir e atacar tumores — mais um importante item que se acrescenta ao seu currículo.

Uma das pesquisas que obtiveram resultados mais estrondosos foi concluída no final do ano passado. Ao todo, 1 388 mulheres foram acompanhadas por seis meses. Todas relataram tomar algum tipo de remédio fitoterápico — equinácea, ervade- são-joão, ginseng e ginkgo. As que ingeriram esta última diariamente tiveram uma incidência 60% menor de tumores de ovário. Para entender o que estava ocorrendo, os surpresos cientistas levaram a ginkgo para dentro do laboratório. Lá misturaram o extrato da planta a culturas de células de ovário cancerosas. Bastou uma pequena dose para que o crescimento delas fosse reduzido em 80%.

ESTUDO PIONEIRO
Foi a primeira vez que se vislumbrou uma relação entre a ginkgo e o combate ao câncer de ovário. "Como o nosso estudo é pioneiro, as conclusões precisam ser confirmadas por novos trabalhos", disse à SAÚDE! Daniel Cramer, diretor de Obstetrícia e Ginecologia Epidemiológica do Brigham and Women`s Hospital, ligado à Escola Médica Harvard, nos Estados Unidos. "Até que outras investigações sejam feitas, acredito que mulheres com mais de 50 anos e histórico familiar de câncer de ovário deveriam considerar tomar ginkgo", diz ele.

Quando se fala em tumores em geral, o relatório de Cramer não é tão inovador assim. Mais de 50 estudos sobre ginkgo e câncer já foram catalogados. Em 2002 uma pesquisa conduzida pelo grego Vassilios Papadopoulos mostrou em laboratório e em testes clínicos que a ginkgo inibe o crescimento agressivo de tumores de mama. Também existem trabalhos sobre câncer cerebral e de fígado. "Essa já não é uma área de pesquisa em sua infância", diz Nise Yamaguchi, pesquisadora da USP e vice- presidente do Núcleo de Apoio ao Paciente com Câncer, em São Paulo. "Já existem muitos estudos consistentes. E com conclusões parecidas."

A maneira como a ginkgo e seus componentes agem em escala celular ainda não foi totalmente decifrada, mas há algumas hipóteses. "Talvez a planta esteja envolvida com a habilidade do organismo de causar apoptose, a morte programada de células defeituosas", diz Cramer (veja infográfico na próxima página). Outras estratégias descritas em diferentes trabalhos são sua habilidade para inibir os vasos que alimentam o câncer e sua capacidade de evitar danos ao DNA. Esses efeitos são obtidos por meio da ação de duas substâncias, os terpenóides e os bioflavonóides. Os primeiros viraram objeto de estudo mais recentemente. Os bioflavonóides, contudo, são conhecidos de longa data. Agem como antioxidantes, combatendo os radicais livres e impedindo o envelhecimento. Ambos fazem parte do mesmo extrato, o EGb 761 — matéria-prima dos comprimidos vendidos em farmácias.

O comprimido de ginkgo biloba desencadeia diversas reações que vão desde os pés até os ouvidos. Os vasos sangüíneos se dilatam e o sangue fica menos viscoso (mais "fino", como se diz). Assim, corre mais rápido, com mais facilidade, e alcança melhor os lugares mais distantes do coração. O labirinto, estrutura que pertence ao ouvido, passa a ser mais bem irrigado e oxigenado, o que ajuda a acabar com tonturas e zumbidos. As áreas do cérebro responsáveis pela memória e pelo raciocínio ficam mais despertas. O fluxo mais intenso também acaba com as dores nos braços e nas pernas, comuns na terceira idade. "A ginkgo produz muitos resultados e por isso divide com a ervade- são-joão o título de planta mais estudada na atualidade", afirma João Batista Calixto, professor de farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e autoridade brasileira em medicamentos fitoterápicos.

Entre todas as benesses creditadas à planta, uma passou a ser questionada recentemente. É a que se refere à contribuição da ginkgo aos pacientes com Alzheimer. "Possivelmente o benefício seja alcançado apenas se a droga for utilizada de forma preventiva, anos antes do início da doença", diz Orestes Forlenza, psiquiatra e pesquisador do Laboratório de Neurociências da Universidade de São Paulo. "Os estudos clínicos da ginkgo para o tratamento de demências não demonstraram vantagens consistentes, possivelmente porque já era tarde demais e o tamanho do efeito era muito pequeno para modificar o curso clínico", explica o pesquisador, que fez uma revisão da literatura médica sobre o assunto.

São raros os casos de efeitos colaterais advindos da ingestão de ginkgo, mas não se pode ignorá-los. O remédio possui tarja vermelha e só pode ser vendido com receita médica (a dose máxima recomendada é de 240 mg/dia). Esse cuidado existe porque, ao dilatar os vasos sangüíneos, a ginkgo pode provocar enxaqueca e aumentar a sensibilidade da pele, causando alergias. Esse problema é maior nas cápsulas de pó macerado e nas folhas para chá, vendidas em lojas de produtos naturais. Além de ter a eficiência questionada (veja o quadro na próxima página), elas possuem grandes quantidades de um ácido capaz de irritar a pele. Ao afinar o sangue, a planta também pode causar sangramentos (antes de submeter um paciente a cirurgia, os médicos costumam pedir que cesse a ingestão do comprimido). Na bula do medicamento há ainda advertências com relação a distúrbios gastrointestinas e queda de pressão arterial. "A ginkgo é uma planta segura, mas deve ser usada com cautela", resume o americano Daniel Cramer.

MORTE PROGRAMADANa presença da ginkgo, as células malignas se autodestroem

1 - PROCESSO NORMALQuando alguma célula se danifica, sofre radiação ou infecção, o organismo envia uma ordem para que ela se autodestrua. Esse processo é chamado de apoptose.
2 - CÉLULAS TUMORAIS
De vez em quando surgem células malignas que podem se multiplicar desordenadamente. O corpo manda a mesma ordem de implosão, mas elas não obedecem.
3 - COM GINKGO
Na presença da ginkgo, as células tumorais ficam menos "teimosas". Quando a
mensagem chega, a célula pode ter a membrana rompida. Os restos são comidos
por fagócitos, defensores do corpo.

O QUE JÁ SE COMPROVOU? Dos muitos benefícios atribuídos à ginkgo, alguns foram validados pela literatura científica e outros, desacreditados
ZUMBIDOS NO OUVIDO E TONTURASão os principais chamarizes da planta. Ao aumentar a circulação no labirinto, estrutura interna do ouvido, a ginkgo diminui zumbidos e melhora a sensação de equilíbrio.
DORES EM BRAÇOS E PERNAS
Os benefícios do extrato para a circulação se refletem na melhor irrigação das áreas mais distantes do coração, o que alivia as dores nos membros.
ENVELHECIMENTO
Seus bioflavonóides são antioxidantes que combatem os radicais livres e evitam danos às células, acumulados com a idade.
CÂNCER DE OVÁRIOUm estudo publicado em outubro de 2005 mostrou que a incidência desses tumores diminuiu entre 60% e 70% nas mulheres que ingeriram comprimidos com extrato de ginkgo.
CÂNCER DE MAMA
Testes preliminares em laboratórios e estudos clínicos publicados em 2002 indicaram que o extrato das folhas pode inibir a proliferação agressiva de tumores de mama.
MEMÓRIA
A Organização Mundial da Saúde considera que a ginkgo melhora a capacidade de memória e de aprendizado, mas estudos recentes começam a pôr em dúvida se o efeito persiste no longo prazo.
ALZHEIMERA ginkgo já foi aprovada em alguns países para ajudar na prevenção dessa doença. Contudo, novos testes não mostraram benefícios consistentes quando o mal já está instalado.
COMPROVADOEM TESTECONTESTADO


ALENTO EM CHERNOBYLEm 1986 a usina nuclear de Chernobyl, na então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, sofreu uma forte explosão de vapor seguida de incêndio. Mais de 200 mil pessoas tiveram de ser transferidas para evitar os efeitos da radiação. Um estudo publicado em 1995 ministrou extrato de ginkgo para 30 trabalhadores que estavam na área do acidente. Por dois meses eles tomaram três comprimidos de 40 mg. Ao final, a ginkgo reduziu os efeitos colaterais provocados pelas radiações excessivas e diminuiu o número de porções alteradas no DNA desses homens.

PRODUÇÃO GLOBAL
O extrato usado nos comprimidos viaja pelo mundo antes de chegar às prateleiras das farmácias. Em geral, as árvores são cultivadas na região de Bordeaux, na França, e na Carolina do Sul, nos Estados Unidos — tidas como as mais adequadas para o cultivo da planta. Depois de colhidas, as folhas são enviadas à Irlanda para serem extraídas. Em seguida a matéria-prima é exportada para vários países (o Brasil é um deles) onde os comprimidos são feitos e embalados.

DÁ PARA CONFIAR?
Nas farmácias brasileiras, os comprimidos de extrato de ginkgo vendidos só com receita médica competem com cápsulas de pó moído e folhas, em embalagens expostas nas prateleiras ao alcance do consumidor. Muita gente relata efeitos benéficos advindos dessas fórmulas alternativas. Mas seriam elas tão eficazes quanto os comprimidos? A resposta é não. Pesquisadores da UFSC fizeram testes para saber quanto tem de componentes do extrato EGb 761 nessas cápsulas e nas folhas da planta. Conclusão: para obter a mesma quantidade de um único comprimido de 120 mg seriam necessárias 20 cápsulas de 200 mg de pó moído. Quanto ao chá, a eficácia depende da qualidade da matéria-prima. "Mas seria preciso ingerir grande quantidade, já que os teores das substâncias ativas no chá caseiro são baixos", afirma Cláudia Simões, autora do trabalho e pesquisadora da UFSC. "A proporção ideal só é obtida com os extratos secos padronizados."

Ilustração Diego Sanches produção Lívia Badan/Tenman-Ya